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ENTREVISTA: A escola feita de esperança, na Libéria

14 maio

WEB-destaque-vinicius-com-sabato2-337x252Quem não tem cão, caça com gato. A Libéria é um país destruído por duas guerras civis e com o 6º pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo, entre 187 países pesquisados. Neste cenário, nasceu um importante projeto que poderá melhorar muito a situação da educação no país, e também servir de exemplo para outras nações ao redor do mundo.

O projeto Escola de Bambu tem à frente o jornalista brasileiro Vinícius Zanotti (esq., na foto acima), que planejou uma viagem para a Libéria por 15 dias, mas teve que permanecer no país por aproximadamente dois meses para tratamento contra malária, que adquiriu na estada.

Durante esse tempo, Vinícius conheceu o liberiano Sabato Neufville (na foto acima), fundador do United Youth Movement Against Violence (Movimento da Juventude Contra a Violência, em tradução livre), e decidiu ajudar a combater o problema crônico enfrentado pela educação no país.

Assim nasceu o Escola de Bambu, um projeto inovador que conta com uma pitada de compaixão, um punhado de consciência e abundância de disposição. Ao longo de alguns meses, um grupo de aproximadamente 30 brasileiros angariou recursos para erguer paredes, garantir energia elétrica renovável, água, saneamento, material didático e qualidade de ensino por meio do projeto, que atualmente está em construção.

O Jornal do Unificados traz uma entrevista por e-mail com o jornalista Vinícius Zanotti, um dos idealizadores do projeto, que trabalhou no Sindicato Químicos Unificados com a gravação e edição de vídeos sobre movimentos de trabalhadores, sociais e ambientalistas.

Zanotti está na Libéria. Para mais informações e detalhes sobre o projeto Escola de Bambu, inclusive para integrar-se a ele, visite o site http://escoladebambu.com/

Um pouco sobre a Libéria

A República da Libéria é um pequeno país localizado na África Ocidental. A população, de aproximadamente quatro milhões de pessoas, convive com diversos problemas sociais.
A história da Libéria é no mínimo curiosa, e se difere de praticamente todos os outros países do continente africano. Em terras adquiridas no século XIX por uma organização dos Estados Unidos que pretendia assentar na África os negros livres ou libertos da escravidão estadunidense, a Libéria foi formada por ex-escravos. Sua independência foi obtida no dia 26 de julho de 1847. De todas as nações africanas, somente a Libéria e a Etiópia não foram colônias de países europeus.

ENTREVISTA

“Abri mão de minha profissão e coloquei
a construção desta escola como meta”

Unificados: como você conheceu esse projeto das escolas de bambu?

Zanotti: Na verdade é um projeto montado pelo Sabato Neufville. Depois de construir um Centro da Juventude na comunidade de Fendell (vilarejo na periferia da capital do país, Monróvia), ele descobriu que as crianças não estavam indo à escola porque a distância era enorme. Então, ele decidiu construir uma com bambus enfileirados e começou a pagar o salário dos professores. Conheci uma escola sem qualquer estrutura, e agora começaremos a construir uma nova.

Unificados: Você já conhecia a Libéria? Decidiu viajar para lá por quê?

Zanotti: Não conhecia. Sempre tive o desejo de conhecer um país do oeste africano e comecei a buscar por contatos no tempo que morei na Europa. Foi assim que conheci a Libéria.

Unificados: Quais os benefícios desse projeto para a Libéria?

Zanotti:
Se virar uma política pública poderá ser ótimo, principalmente a alternativa energética. Propomos a instalação de um gerador inventado pelo nosso bioconstrutor Peetssa, fabricado com ímãs de HD de computador quebrado e rodas de bicicleta.

Tiramos o ímã do lixo, e a África, de um modo geral, é um polo de descarte de lixo eletrônico. Mas para isto virar uma política pública precisaremos encontrar políticos sérios, sem interesses pessoais e muito menos visando lucro. O que sempre foi muito difícil de se achar.

Unificados: Ele pode ser adaptado e feito em outros países? No Brasil?

Zanotti: Pode ser construído em qualquer outro lugar.

Unificados: Qual é o seu envolvimento com o projeto, hoje?

Zanotti: Tenho me dedicado exclusivamente a este projeto aqui na Libéria, do qual sou o coordenador. Abri mão de minha profissão e coloquei a construção desta escola como minha meta. Estamos perto de conseguir.

Unificados: Quais as formas de arrecadação de dinheiro para o projeto?

Zanotti: Captamos o dinheiro com pessoas físicas e com qualquer entidade, empresa, fundação ou associação que queira contribuir, o que tem sido muito difícil. Os nossos recursos foram captados quase que em sua totalidade com venda de camisetas, DVD’s e doações.

Unificados: Como é sua experiência na Libéria? O que vê de diferente ou de igual ao Brasil?

Zanotti: Escrevi um artigo para o site “Papo de Homem”, que conta bem destas diferenças. Mando o link:  http://papodehomem.com.br/liberia-escola-de-bambu/

Fotos:

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Projeto de uma das salas de aulas na nova Escola de Bambu

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Projeto de como será a nova Escola de Bambu

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Vista da frente da atual escola

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Uma sala de aulas atual

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Nas três fotos acima, crianças liberianas alunas da Escola de Bambu

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Publicado por em 14/05/2013 em Entrevistas

 

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