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Humor que desqualifica o outro

12 abr

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  Postado: yahoo Brasil

Por Walter Hupsel | On The Rocks

Não é de hoje que brincamos, zoamos, fazemos piada que reforçam preconceitos e violências. Um “humor” para iguais, narcisista, que explora situações que nada tem de engraçadas pois se referem às exclusões cotidianas, às minorias já violentadas no dia a dia.

Alguns riem. Acham graça justamente pelo fato do objeto da brincadeira ser o outro, o diferente, e nunca si mesmo. Ri da mulher, ri dos negros, das piadas sobre judeus, dos homossexuais. Simplesmente acham tudo isso engraçado. Afinal é apenas uma brincadeirinha.

O diretor Gerard Thomas também acha graça. Acha motivo de divertimento narcisista enfiar a mão dentro do vestido de uma repórter.

Para ele, e seu desejo, não há nada demais em agir assim. É o macho. É aquele cidadão de bem dos ônibus lotados que, entre uma freada e outra, aproveita para se esfregar, encoxar, a mulher que está à sua frente.

Qual mal tem nisso? É uma brincadeira, dizem o diretor do programa e o brincalhão Gerard.

A vítima parece não concordar com a opinião do chefe. Mas, na condição de mulher e funcionária, pouca saída lhe resta a não ser uma resignação consternada (A expressão dela, na foto, demonstra claramente o que achou da “brincaderinha”).

Não falta quem culpe a própria repórter e seu vestidinho curto. É um convite aos instintos do macho, justificam, e uma mulher que usa roupas assim é porque quer mesmo ser bolinada, ultrajada. Em outras palavras: ela mereceu.

Este tipo de “humor”, de “brincadeira”, desqualifica o outro, torna-o um mero acessório aos instintos sádicos daquele que está em posição socialmente privilegiada.

É ele que, reforçando estereótipos, justifica a violência e o estupro.

Uma brincadeira nem sempre é apenas uma brincadeira. Algumas vezes vai muito além disso, e não é nada inocente. Fala a partir de um lugar específico, para uma vítima específica, escolhida, calculada.

Gerard, que não é burro, sabia o que fazia. Mais importante, sabia com quem fazia. E ele riu. Achou divertido enfiar a mão embaixo do vestido da Nicole Bahls. Achou divertido ter o poder de fazer isso. E riu.

Riu, ali, de todas a mulheres encoxadas nos ônibus e trens. Riu das agressões domésticas que elas sofrem. Riu dos assédios morais, sexuais. Riu dos estupros.

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Publicado por em 12/04/2013 em Notícias

 

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